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Sexta-feira, Maio 18, 2012

Poema Nº13





Eu fui marcando com cruzes de fogo
o atlas branco do teu corpo.
A boca era uma aranha que corria a esconder-se.
Em ti, atrás de ti, temerosa e sedenta.


Histórias para contar-te a beira do crepúsculo
boneca triste e meiga, para que não estivesses triste.
Um cisne, uma árvore, algo longínquo e alegre.
O tempo de vindima, o tempo maduro e frutífero.


Eu que vivi num porto que era de onde te amava.
A solidão percorrida de sonho e silêncio.
Encurralado entre o mar e a tristeza.
Calado, delirante, entre dois gondoleiros imóveis.


Entre lábios e voz, algo vai já morrendo.
Algo com asas de pássaro, algo de angústia e esquecimento.
Da mesma forma que as redes não retêm a água.
Boneca minha, quase nem ficam gotas tremendo.


Mesmo assim algo canta entre essas palavras fugazes.
Algo canta, algo sobe à minha ávida boca.

Oh pode celebrar-te com todas a palavras de alegria.
Cantar, arder, fugir, como um campanário nas mãos de um louco.


Triste ternura a minha, mudas-te em que de repente?
Quando eu cheguei ao vértice mais atrevido e frio
fecha-se meu coração como uma flor noturna.



Pablo Neruda

Segunda-feira, Maio 14, 2012

O Pai da Mata


  Ergueu-se devagar e se espreguiçou demoradamente, a tempo não tinha um sono tão profundo. O sol surgiu no horizonte, a vegetação era novamente composta por galhos secos e plantas que se viravam bem sem muita água, mas ainda verde. Três meses de chuva, quando dormia, e nove meses de estiagem, quando caminhava. Deixou a chapada e andou por seu domínio.
  Terra marcada, quentura, vento, tatu, preá, umbuzeiro,asa branca, vaqueiro, lavadeira, casa de taipa, cerca e cacimba. Parou perto da vila e sentou a dois passos dum lago. Descansou o rosto sobre o punho e observou. A boiada foi conduzida para longe entre as aroeiras. Uma veado foi devorado por uma onça. Mulheres estenderam roupas e lençóis em seus quintais. Um carcará falhou contra uma cobra. Três crianças correram em direção ao lago.
  Sorriu.
  Apostaram uma corrida, a primeira mergulhou num flecheiro, seguida pela outra menina. O menino entrou no lago com calma e fez chuvisco com as mãos. Nadaram e brincaram de catar seixos no fundo do lago. Os pequenos peixes fugiram e alguns girinos foram rápidos como de costume. Saíram para se testar novamente. Um gavião-peneira abandonou o ombro do gigante recém desperto, quando ele se inclinou a frente e pôs a mão sob a água turva. Um após outro, os três pequenos saltaram e notaram que estava mais raso, a água se agitou e foram levados para cima pela mão do titã.
  Usava uma túnica grossa feita com tranças de sisal, barba farta, cabelos crespos e negros, olhos castanhos que fitavam as crianças, saudosos. Aproximou a mão das vistas, o pequeno Cauã se encolheu no colo da irmã, Yasmin, que cobria os olhos com as mãos mas via o rosto colossal por entre os dedos. Mais a frente, Esther firmou-se de pé, destemida, e tocou aquele narigão. Sentindo cócegas, o gigante bufou um sorriso engraçado que irradiava uma certa força pacífica. Os jovens são mais suscetíveis a essa calma, talvez por enxergarem as coisas como um todo, em oposição as preocupações cegantes dos adultos. Subiram pela orelha e caminharam pela cabeça agarrando-se a embaraçada cabeleira, mais risos. De volta à mão, o gigante esticou o braço para cima e eles olharam para longe e para baixo, tudo que conheciam era agora mínimo. Deslizaram de uma mão para outra, por entre os dedos e foram carregados no ombro durante uma breve caminhada.
  O cheiro de plantas em chamas e de animais em último suspiro, não lhe escapava. Entardecia quando as crianças foram colocadas de volta no chão. Esfregou o dedo na cabeleira de cada um deles, levantou-se rapidamente e caminhou durante um bom tempo até sumir no horizonte
  Os três correram de volta pra casa e notaram que ninguém mais vira o gigante bonachão. Sabiam que ele era real e foi o que disseram a seus filhos nos anos que vieram.


Sexta-feira, Maio 11, 2012

Hormona


  Estava nublado e a ausência do costumeiro mormaço indicava a chuva vindoura. De pé na calçada, segurando um pequeno caderno, um rapaz pegou um cigarro Caterpilla com os lábios e acendeu com o isqueiro descartável branco que logo pôs de volta no bolso. Deu uma longa tragada e notou a menina que o observava surpresa.
  Em plena puberdade, Gabrielle era três anos mais velha do que seus colegas de classe, preço que pagara por uma família que custou a se estabelecer numa cidade e também por seu descuido com os estudos. Aquele era o primeiro ano de sua vida que passara usando sutiã. Os seios apareceram, tardios, elementares e pequenos no ano anterior, marcavam a farda branca atraindo a atenção masculina, rebatida com um olhar cheio de cólera.
  As amigas de classe idolatravam o filho da diretora e aquilo era o que a moça sabia sobre ele, nunca o encontrara pessoalmente. Ainda que curiosa, tentava direcionar certo desdém a aquela figura mitificada pelos comentários exagerados das colegas.
  Pela pouca idade dos alunos, em média 11 anos, Gabriel, o tal rapaz, virou uma referência comportamental naquele lugar. Ele não era nem um pouco careta e, suas poucas visitas, lhe renderam um certo status. Tinha estilo, cativava fácil com um senso de humor ácido e inteligência ágil. Sentia essa admiração mas, habituado, nunca usufruiu disso como outros fariam nas mesmas circunstâncias.
  O vigilante fazia sua pausa e os dois eram os únicos fora das salas da escola. Ele tentou esconder o desconcerto.
    - Você não me viu fumando aqui, hein.
    - Só vi. - riu.
    - Já estou fora da escola.
    - Fumando na frente de uma aluna menor de idade, que mau exemplo.
  Aquilo seria nada demais se sua mãe não fosse a gestora mais cheia de escrúpulos do bairro, de reputação invejada por vários adversários políticos, vítimas de seu rigor administrativo nas reuniões trimestrais da prefeitura. Um simples cigarro fumado pelo filho caçula na calçada de sua escola poderia custar caro.
  Gabriel passou a mão com força pelos cabelos, numa inquietação infantil, sentia-se posto contra a parede. Gabrielle entendeu, atirou aquele cigarro na calçada, tomou-o pela mão e entrou pelo portão. Caminharam rapidamente em passos leves, a garota deixou o caderno dele no banco do corredor e entraram no box do banheiro feminino que estava em reforma. Uma hora antes do intervalo. Tranca girada, costas na porta de madeira recém pintada.
  Ele olhou inquisidor, encontrou apenas uma respiração nervosa tomada pela adrenalina do perigo real. Alisou o rosto da menina com as cotas da mão, coagido pelo ambiente parou os dedos nos lábios. Ela mordiscou e acostou um de suas mãos na braguilha da calça dele. Convencida, virou-se e roçou eriçada. Ele abriu caminho com a mão dentro do shorts dela, que continuou chupando os dedos da outra mão enquanto era excitada. A endorfina anulou a epinefrina lenta e prazerosamente. Impuseram-se um silêncio perturbado somente pela respiração ofegante dela.

  Gabrielle se dirigiu apressadamente até a secretaria, o corpo ainda trêmulo. Lá ignorou o sermão acerca do atraso e foi acompanhada pela diretora até o início da rampa que levava à sua classe. Viu Gabriel apontar para o caderno, fingindo surpresa, e se despedir da mãe antes de sair novamente pelo portão.


Segunda-feira, Maio 07, 2012

Sobre Nerds

  A vida do nerd é melhor do que a das pessoas comuns. Um nerd não precisa de bebidas alcoólicas para se divertir. Basta ler uma história de seu super-herói favorito. Enquanto as pessoas comuns deixam de fazer o que gostam depois de uma certa idade, o nerd continua fazendo e não tem o mínimo pudor de admitir isso pra ninguém. Ele prefere gastar o sábado a noite jogando RPG com seus amigos, ao invés de ir a algum lugar barulhento e cheio de desconhecidos. Um nerd não precisa se preocupar com o gostar de sua namorada, pois ela o aceita do jeito que ele é e não pelo que ele aparenta ser. E é por isso que a vida do nerd é melhor. Ele não perde tempo criando uma imagem, só conseguiu ser aquilo mesmo.


Sim, eu sei que hoje é segunda-feira.

Sexta-feira, Maio 04, 2012

Sete Momentos de Star Wars


  De volta com mais uma listinha (confira as duas anteriores aqui e aqui).
  Hoje é Dia de Star Wars e decidi enumerar os meus momentos favoritos da saga. Reconheço que faz tempo desde que assisti um filme da série e justamente por isso aceitei o que tomo com um desafio. Aqui estão as cenas que mais marcaram as horas que empreguei polindo minha nerdice com um das sagas mais cultuadas da "cultura pop".
  Eu não gosto da ideia de remasterizar filmes e séries clássicas, já que é pra mexer faz um negócio novo usando o mesmo argumento. Pode não ser a solução mais apreciada pelos fãs, mas é mais honesto e não mutila o material original. Quer dizer, só porque a segunda trilogia não foi grandes coisa o George Lucas tem de embutir coisas que surgiram dela na trilogia de década de 70? Se tivesse refeito tudo, acho que todo mundo ficaria satisfeito. Ele teria 6 filmes meia-boca (ao invés de apenas 3) e os fãs teriam seus três clássicos intocados e datados. Se alguém aparecesse querendo "atualizar" os efeitos especiais do Ultraman eu ficaria tão fulo com o responsável quanto o fandom de Star Wars ficarou com o Lucas.
  Essas duas trilogias tem vários momentos lendários e essa lista contempla sete dos meus favoritos. Se você ainda não assistiu aos filmes, prepare-se para spoilers (se é que existe spoiler pra uma série cujo o último filme foi lançado há 7 anos).
  Agora, mãos a obra.


Sete: Obi-Wan Kenobi persegue Jango Fett com seu star fighter. Lembro da euforia que tive quando assisti Attack of the Clones no cinema, desde muito criança eu adoro naves e ação no espaço (sim eu sei que o som não se propaga lá, que seja).


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SeisTreinado por Yoda, mestre máximo da antiga Ordem Jedi, Luke Skywalker aprende sobre a Força e a fé necessária para utiliza-la com sabedoria. "Do or do not, there is no try".

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Cinco: Han Solo atirou primeiro. Todo mundo sabe disso.


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QuatroA Estrela da Morte é destruída com pelo jovem e inexperiente piloto Luke Skywalker. Incrível que uma arma tão poderosa, capaz de destruir planetas inteiros com um simples disparo tenha um ponto vulnerável de tão fácil acesso. Atenção especial para a cobertura da Millenium Falcon, como eu queria pilotar essa nave...

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Três: O novo sith Darth Vader enfrenta seu antigo mestre jedi Obi-Wan Kenobi na batalha que selará seu destino para sempre. Achei a luta inteira, como todas desses três primeiros episódios, meio "dançada", prefiro a tensão dos combates da trilogia original. Mas isso não estraga a resultado da batalha, que todos já sabiam qual seria, e esse momento ganhou a merecida terceira colocação. Notem a decepção profunda de Obi-Wan e o arrependimento no rosto do Vader derrotado. Não dá pra voltar agora.


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Dois: Luke Skywalker resiste ao poder do lado sombrio da Força, frustrando os planos do imperador e provando ser o  primeiro jedi da galáxia desde a queda da República. "I will not turn to the dark side. I'm a jedi, like my father before me.". Chora Palpatine.


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Um: Darth Vader, o mais icônico vilão já criado pela ficção científica, exibe o poder do lado sombrio da Força torturando um descrente. Esse cara ruleia.


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